Especialidade
Marketing para Ortopedia
Do "dor no joelho" digitado no celular até a cirurgia agendada, existe um caminho inteiro sem ninguém do outro lado.
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O paciente digita o sintoma, nunca o nome da cirurgia
Ortopedia é uma das poucas áreas em que a busca nasce de um incômodo físico imediato. Ninguém acorda decidido a operar o joelho: a pessoa acorda com dor e pega o celular. O que ela escreve é literal, em linguagem de leigo, e quase sempre descreve o movimento que dói: "dor no joelho ao subir escada", "dor lombar que desce pela perna", "ombro travado para levantar o braço", "dor no calcanhar ao pisar de manhã".
Praticamente ninguém digita artroscopia, artroplastia ou hérnia de disco extrusa antes de ouvir esses nomes de um médico. Quem organiza toda a comunicação em volta do nome do procedimento está falando só com o paciente que já passou por outro consultório. O procedimento é o destino, não a porta de entrada.
Tem ainda um detalhe operacional que muda tudo: dor não respeita horário comercial. Segundo o Perfil do Paciente Digital 2025, da Doctoralia, um em cada três agendamentos é tentado fora do horário comercial. Em ortopedia isso pesa mais, porque a dor não respeita expediente. Em ortopedia isso tem causa concreta: dor que piora à noite, torção no jogo de sábado, queda em casa no domingo. Quem responde só de segunda a sexta entrega esse paciente para o pronto atendimento mais próximo.
O caminho longo entre a dor pesquisada e a cirurgia eletiva
Entre a primeira dor e uma cirurgia eletiva agendada existem meses e vários pontos de abandono. É o oposto de uma decisão de impulso, e é justamente esse trajeto que quase nenhuma clínica acompanha.
| Etapa | O que o paciente está fazendo | Onde ele costuma sumir |
|---|---|---|
| Dor recente | Pesquisa o sintoma no celular, quase sempre à noite | Manda mensagem e recebe resposta no dia seguinte |
| Primeira consulta | Sai com pedido de exame de imagem | Faz o exame em outro lugar e some com o laudo na mão |
| Tratamento conservador | Fisioterapia, reavaliação marcada para semanas depois | Melhora um pouco, cancela o retorno e volta anos depois pior |
| Indicação cirúrgica | Ouve a palavra cirurgia pela primeira vez | Vai buscar segunda opinião e não retorna |
| Pré-operatório | Autorização do plano, exames, escolha de data | Trava na burocracia e adia por tempo indeterminado |
O paciente de ticket alto do eletivo já esteve no consultório uma ou duas vezes antes. Ele não está perdido no Google: está parado no meio do próprio tratamento, esperando alguém dizer que é hora de voltar. Manter esse contato vivo é trabalho de acompanhamento, não de anúncio, e é onde entra um atendimento que responde no WhatsApp sem depender de a recepção lembrar.
Onde a ortopedia perde o paciente
Três perdas se repetem. A primeira é a urgência mal atendida: quem torceu o tornozelo quer horário hoje, e a resposta padrão "nossa agenda abre segunda" encerra a conversa. A segunda é a devolutiva do exame, que fica sem dono: o paciente faz a ressonância e não sabe se marca retorno ou se espera ser chamado. A terceira é a confusão entre convênio e particular, que se resolve com uma frase clara antes da consulta.
O tempo de resposta pesa mais aqui do que na média porque a dor tem prazo de validade emocional: passou o pico, a decisão adia. Vale entender quanto tempo você tem para responder um paciente antes que ele procure outro nome.
O que a norma permite e o que ela proíbe nessa área
A Resolução CFM 2.336/2023 vale integralmente, e em ortopedia ela aperta em pontos bem específicos. Não é permitido prometer ou insinuar resultado, o que elimina qualquer variação de "volta a correr em seis semanas" ou "cirurgia sem dor". Não é permitido publicar antes e depois de amplitude de movimento, de postura ou de exame de imagem como demonstração de sucesso, fora do protocolo educativo completo, que exige mostrar também evolução insatisfatória e complicação. Não é permitido ensinar ato privativo de médico a leigo, o que na prática veta o vídeo mostrando o passo a passo de uma infiltração. E a especialidade só pode ser anunciada com RQE de ortopedia e traumatologia, com a área de atuação em medicina do esporte declarada separadamente quando existir.
O que sobra é bastante: explicar o que causa cada dor, o que um exame mostra e não mostra, quando o tratamento conservador faz sentido e o que muda no dia a dia de quem opera. Isso responde exatamente ao que a pessoa digitou. O detalhamento das regras está no guia da Resolução CFM 2.336/2023.
Medicina do esporte é outra porta, não o mesmo cartaz
O corredor de rua, o jogador amador e o praticante de academia pesquisam diferente do paciente de artrose. Eles usam o vocabulário do esporte, decidem rápido, aceitam pagar particular para não ficar parados e voltam de forma sazonal, colada no calendário de provas e campeonatos. Tratar esse público com a mesma comunicação do paciente de sessenta anos com dor no quadril desperdiça os dois. São dois caminhos separados, com conteúdo e horários de contato próprios, servidos pelo mesmo consultório.
O que dá errado quando se aplica estratégia genérica aqui
O erro mais comum é anunciar "ortopedista" e a estrutura da clínica, enquanto a pessoa procurava um sintoma. O contato até chega, mas chega desalinhado e caro. O segundo erro é tratar quem pesquisou dor como se estivesse pronto para marcar cirurgia: essa pressa queima o contato que levaria meses para amadurecer. O terceiro é abandonar a base de quem já consultou, que em ortopedia é o ativo mais valioso, porque a indicação eletiva quase sempre nasce de um paciente antigo do próprio consultório e não de um contato novo.
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